sábado, 3 de julho de 2010

terça-feira, 26 de maio de 2009

Se por acaso cruzarem com ela na feira, no elevador, no bar da esquina ou no Gallery, digam a Lyris que mando meu mais carinhoso beijo. E que jamais a esquecerei.


Caio F.

segunda-feira, 2 de março de 2009

-Inveja, pura inveja, conheço demais essa gente.

-E no momento em que se confessa a precisão, perde-se tudo, eu sei.

-Não? Quem sabe então um... um... um...

-Não adianta insistir. Agora eu vou.

-De creme, não. Quero de morango.

-E essa coca-cola que não vem?

-Sei lá, vou dormir que é melhor.
Imagine, ele falou que tinha achado o chapéu detestável.

-Só eu sei que cheguei à humildade máxima que um ser humano pode atingir: confessar a outro ser humano que precisa dele para existir.

-Quem sabe uma feijoada?

-Daqui a pouco vai começar a chover de novo.

-Tá bem, mas só se vier um sorvete depois.

-Quer fazer o favor de me alcançar o copo?

-Mas não sai nada. Nada. Nem uma lágrima.
-Não posso comer massa, meu bem, engordo horrores.

-Porque se você não vem é como se o tempo fosse passado em branco, como se as coisas não chegassem a se cumprir porque você não soube delas.

-Infelizmente o camarão acabou.

-Estou completamente cheio.

-Bem molezinha, com bastante sal.

-Mas este prato está sujo, que absurdo!!!

-Tudo dói, e eu já nem sei mais para onde ir nem o que fazer, se ao menos - você me amasse um pouco, não estaria aqui e agora. neste bar. sozinho. longe de você e de mim.
-Você prefere lasanha ou ravióli?

-O meu dia só existe porque você existe dentro dele.

-Garçom, por favor .

-Vou-me embora, não suporto mais este bar, este calor, esta mesa. Não suporto mais você.

-Eu quero batatinha frita.

-Hoje existir me dói feito uma bofetada.

-Sem cebola, por favor.
"O mesmo bar, a mesma lâmpada, a mesma carne, mas todos em vibração, os sentidos multiplicados, intensos, elétricos, o coração quase parando de espanto, o espanto de ter encontrado no meio do deserto uma palmeira, uma palmeira de olhos claros, camisa verde, mãos brancas. Ter encontrado um cravo branco entre os caixotes de lixo atapetando a rua. Ter encontrado o espaço de silêncio dentro de um grito. Ter encontrado um ponto de apoio para o cansaço. Você não me vê, eu não te vejo, mas tenho o coração pálido, as mãos suspensas no meio de um gesto, a voz contida no meio de uma palavra, e você não vê o meu silêncio nem meu movimento dentro dele."


Caio F.