segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Não
Não há por que mentir ou esconder
A dor que foi maior do que é capaz meu coração
Não
Nem há por que seguir cantando só para explicar
Não vai nunca entender de amor quem nunca soube amar.
Ah...
Eu vou voltar pra mim, seguir sozinho assim
Até me consumir ou consumir toda essa dor
Até sentir de novo o coração capaz de amor.
(Pequeno concerto que virou canção)
Não há por que mentir ou esconder
A dor que foi maior do que é capaz meu coração
Não
Nem há por que seguir cantando só para explicar
Não vai nunca entender de amor quem nunca soube amar.
Ah...
Eu vou voltar pra mim, seguir sozinho assim
Até me consumir ou consumir toda essa dor
Até sentir de novo o coração capaz de amor.
(Pequeno concerto que virou canção)
'Bem sei que gostarias. Mas não te colocarão na cruz, querido. Quanta vaidade, quanto palavreado tolo, quanta culpa idiota. Tanta Piedosa Afetação Messiânica. Desde o começo, sempre foi mentira. E todos sabiam. Pelo menos, enfrenta. Como aquela, mentindo naturalidades com tamanha perfeição que até consegue dizer: sou simples. E diz a verdade quando mente. Não me venhas com Densas Complexidades Psicológicas. Artimanhas, embustezinhos corriqueiros. Portas falsas, coração. Tudo isso me nauseia como a décima dose de um licor de anis."
E você obedece porque tem alguma coisa nela que te domina, você não sabe se são os olhos ou se é a boca, ou se é o jeito como ela mexe os lábios, ou a maneira como ela toca seu cabelo, mas ela te domina, isso é fato. (...) mas você deseja estar ali com a mesma força que deseja não estar, e tudo é muito confuso e úmido e bom e te apavora, porque não é só isso que você quer, você quer mais do que passar alguns minutos debaixo da saia dela, você quer estar dentro daquilo que é a vida dela. E algo estranho acontece, você se levanta e ela te olha com cara de interrogação então você pede pra ela ir embora e ela chora e você diz que a ama e veste sua roupa. Vai até a cozinha beber alguma coisa e ela te seguindo linda com a saia colorida e um ar de prazer e dor no rosto, ela te beija e te morde e você se afasta toma um gole de água pra ajudar a descer a dor e pede novamente pra ela ir embora. Ela grita e te arranha e te bate e volta pro quarto e veste a blusa, diz que tua casa é pequena e que quer a toalha de volta.'
Dobrada à moda do Porto (Fernando Pessoa)
Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,
Serviram-me o amor como dobrada fria.
Disse delicadamente ao missionário da cozinha
Que preferia quente,
Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.
Impacientaram-se comigo.
Nunca se pode ter razão, nem num restaurante.
Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta,
E vim passear para toda a rua.
Quem sabe o que isto quer dizer?
Eu não sei, e foi comigo...
(Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim,
Particular ou público, ou do vizinho.
Sei muito bem que brincarmos era o dono dele.
E que a tristeza é de hoje).
Sei isso muitas vezes.
Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram
Dobrada à moda do Porto fria?
Não é prato que se possa comer frio,
Mas trouxeram-mo frio.
Não me queixei, mas estava frio,
Nunca se pode comer frio, mas veio frio.
Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,
Serviram-me o amor como dobrada fria.
Disse delicadamente ao missionário da cozinha
Que preferia quente,
Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.
Impacientaram-se comigo.
Nunca se pode ter razão, nem num restaurante.
Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta,
E vim passear para toda a rua.
Quem sabe o que isto quer dizer?
Eu não sei, e foi comigo...
(Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim,
Particular ou público, ou do vizinho.
Sei muito bem que brincarmos era o dono dele.
E que a tristeza é de hoje).
Sei isso muitas vezes.
Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram
Dobrada à moda do Porto fria?
Não é prato que se possa comer frio,
Mas trouxeram-mo frio.
Não me queixei, mas estava frio,
Nunca se pode comer frio, mas veio frio.
A réstia de sol encolhe no chão: tempo. Só esse sol sem cor neste dia sem cor nem jeito de domingo. Idiotice: por que domingo precisa ter um jeito especial, mania de esperar que as coisas sejam um jeito determinado, por isso a gente se decepciona e sofre. Na mesa, os livros oferecem consolo. Vontade de ler um troço decente. Mas é preciso passar por uma porção de besteiras até chegar ao que interessa. Vontade de ter um pensamento bem profundo, desses que fazem a gente se surpreender que tenham saído da nossa cabeça mesmo, naquela modéstia que só se tem quando se está distraído -desses pensamentos que nas revistas em quadrinhos aparecem em forma de lâmpada sobre a cabeça do cara.
Mas o quê? Sobre a vida, um combate que aos fracos abate e aos fortes e aos bravos só pode exaltar? Sobre o amor ,que é isso que você está vendo: hoje beija amanhã não beija depois de amanhã é domingo e segunda feira ninguém sabe o que será? Ou sobre a cultura e a civilização, elas que se danem eu não contanto que me deixem ficar na minha? Tudo já foi pensado: vida, amor, cultura, civilização, liberdade, anticoncepcionais, comunismo, esterilização na Amazônia, exploração das potências estrangeiras, mais que nunca é preciso cantar, guerra fria e vem quente que eu estou fervendo. Tudo a mesma merda. Pudesse abrir a cabeça, tirar tudo para fora, arrumar direitinho como quem arruma uma gaveta.
Tomar um banho de chuveiro por dentro.
Em um metro e oitenta, dezoito anos, e em dezoito anos, seis meses, quatro dias, dezesseis horas e vinte minutos (em breve vinte e um). Nesse amontoado de características, sessenta quilos de magreza e solidão. Encosta o corpo na cama, a mão passando de leve no xadrez do cobertor dobrado a seus pés, o rosto na parede que o acolhe com o sem compromisso de sua impessoalidade, a mão passa sobe desce e de leve, de leve começa a chorar.
Mas o quê? Sobre a vida, um combate que aos fracos abate e aos fortes e aos bravos só pode exaltar? Sobre o amor ,que é isso que você está vendo: hoje beija amanhã não beija depois de amanhã é domingo e segunda feira ninguém sabe o que será? Ou sobre a cultura e a civilização, elas que se danem eu não contanto que me deixem ficar na minha? Tudo já foi pensado: vida, amor, cultura, civilização, liberdade, anticoncepcionais, comunismo, esterilização na Amazônia, exploração das potências estrangeiras, mais que nunca é preciso cantar, guerra fria e vem quente que eu estou fervendo. Tudo a mesma merda. Pudesse abrir a cabeça, tirar tudo para fora, arrumar direitinho como quem arruma uma gaveta.
Tomar um banho de chuveiro por dentro.
Em um metro e oitenta, dezoito anos, e em dezoito anos, seis meses, quatro dias, dezesseis horas e vinte minutos (em breve vinte e um). Nesse amontoado de características, sessenta quilos de magreza e solidão. Encosta o corpo na cama, a mão passando de leve no xadrez do cobertor dobrado a seus pés, o rosto na parede que o acolhe com o sem compromisso de sua impessoalidade, a mão passa sobe desce e de leve, de leve começa a chorar.
domingo, 9 de novembro de 2008
A gente já não fala mais de amorA gente já não liga mais pra nada
Você não sabe mais da minha noite
Se chego cedo ou de madrugada
Você já não é a mesma que era antes
Seu corpo já não quer saber do meu
Você não sabe mais dos meus problemas
E não me deixa resolver os seus"
O quarteto no show de José Augusto. Desculpa, mas não dava pra faltar ;)
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
"Eu dava um cavalo branco para ele, uma espada, dava um castelo e bruxas para ele matar, dava todas essas coisas e mais as que ele pedisse, fazia com a areia, com o sal, com as folhas dos coqueiros, com as cascas dos cocos, até com a minha carne eu construía um cavalo branco para aquele príncipe. Mas ele não queria, acho que ele não queria, e eu não tive tempo de dizer que quando a gente precisa que alguém fique a gente constrói qualquer coisa, até um castelo"
(O mar mais longe que eu vejo)
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
"Você dormia, estava sol e não tinha iogurte na geladeira. Quando você dorme, eu tenho ciúme dos seus sonhos, da sua ausência, da sua história, da sua lacuna, da sua morte, da sua vida paralela, dos seus mistérios, da sua solidão, da sua tranqüilidade em se entregar à tranqüilidade. Quando faz sol, eu tenho um desespero de vida tão grande que preferiria que não existisse vida. Não vivo sem iogurte.
Quis falar com alguém, mas quem? Todos eram humanos e eu precisava de uma resposta divina. O fio do telefone não bastou e eu precisei segurar a respiração até o chão da sala se fechar num quadrado bem pequenininho e sem cor. Ganhei de você que vivia promovendo concursos de apnéia na piscina. Mas nunca mais receberia prêmios: ver você tão menino fazendo brincadeiras bobas, ver você dormindo. Morrer foi tão absurdo quanto o amor que eu sinto por você."
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
"Que aconteça alguma coisa bem bonita para você, te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê..."Fique feliz, fique bem feliz, fique bem claro, queira ser feliz. Você é muito lindo e eu tento te enviar a minha melhor vibração de axé. Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim.
Com cuidado, com carinho grande, te abraço forte e te beijo'
Parabéns, Matheus!
terça-feira, 28 de outubro de 2008
As pessoas que se comprazem no sofrimento, que gostam de sentir-se infelizes e fazer aos outros infelizes, jamais poderão orgulhar-se de sua beleza. O mau humor, o sentimento de frustração, a amargura marcam a fisionomia, apagam o brilho dos olhos, cavam sulcos na face mais jovem, enfeiam qualquer rosto. Essa é a razão porque a mulher, que cultiva a beleza, deve esforçar-se para ser feliz. Felicidade é estado de alma, é atmosfera, não depende de fatos ou circunstâncias externas”
Clarice Lispector
Há muita coisa a dizer que não sei como dizer. Faltam as palavras. Mas recuso-me a inventar novas: as que existem já devem dizer o que se consegue dizer e o que é proibido. E o que é proibido eu adivinho. Se houver força. Atrás do pensamento não há palavras: é-se. Minha pintura não tem palavras: fica atrás do pensamento. Nesse terreno do é-se sou puro êxtase cristalino. É-se. Sou-me. Tu te és.
(Clarice Lispector)
(Clarice Lispector)
Isto não é um adeus, meu querido: é um agradecimento. Obrigada por ter aparecido em minha vida e me trazido tanta alegria. Obrigada por me amar e por aceitar o amor que lhe dei em troca. Obrigada por tantas recordações que guardarei comigo para sempre. Mas acima de tudo, obrigada por me mostrar que chegará um dia em que poderei seguir em frente mais uma vez."
(Uma carta de amor)
(Uma carta de amor)
Hoje me desfiz dos meus bens: vendi o sofá cujo tecido desenhei e a mesa de jantar onde fizemos planos. O quadro que fica atrás do bar rifei junto com algumas quinquilharias da época em que nos juntamos. A tevê e o aparelho de som foram adquiridos pela vizinha, testemunha do quanto erramos. A cama doei para um asilo sem olhar pra trás e lembrar do que ali inventamos. Aquele cinzeiro de cobre foi de brinde com os cristais e as plantas que não regamos. Coube tudo num caminhão de mudança... Até a dor que não soubemos curar mas que um dia vamos.
De cara lavada
Martha Medeiros
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
"Porque eu tenho todo o direito de não querer mais nem lembrar que um dia cheguei a ser toda encharcada de boas impressões e intenções, mas não tenho o direito de não te deixar ficar sabendo que você é, e um dia foi, um pôr-do-sol que eu vou guardar além desta caixa de velharias."
Praia do Cabo Branco em João Pessoa
Praia do Cabo Branco em João Pessoa
Eu tô muito frágil e meu carinho por você vai sempre existir dentro de mim, mas eu acho que é hora da gente parar de se tratar como se alguma coisa entre nós fosse acontecer: saliva, cheiro, suor. Não me alimente. (...) Não quero deixar o meu carinho se aprofundar, não entranhar tanto ou mais do que poderia, deveria. E nem é tão complicado assim, eu mal te conheço, você mal me conhece. Se não prosseguirmos, fica você achando que eu sou louca e eu te achando inalcançável. Talvez eu tenha a mania de confundir tudo, talvez..."
INTIMIDADE
Se tocar um blues
e eu estiver de azul
como a tarde
me beija o pescoço
me explora o decote
(aos amigos se permitem
certas intimidades)
mas se tocar um tango
dança comigo
beija-me a boca
quem sabe me ama
(que não é de ferro
a amizade)
depois
tomar café com leite
e pão torrado
e seguir sendo amigos
por infinitas outras tardes
De Um Tolo Desejo de Azul (2003)
Se tocar um blues
e eu estiver de azul
como a tarde
me beija o pescoço
me explora o decote
(aos amigos se permitem
certas intimidades)
mas se tocar um tango
dança comigo
beija-me a boca
quem sabe me ama
(que não é de ferro
a amizade)
depois
tomar café com leite
e pão torrado
e seguir sendo amigos
por infinitas outras tardes
De Um Tolo Desejo de Azul (2003)
Minhas mãos estão suadas. Meu coração, apertado. Eu detesto o gosto amargo do arrependimento. Não importa se é arrependimento do que fiz ou do que deixei de fazer, não faz diferença. Apenas sinto. Fecho meus olhos e suspiro, uma, duas, mil vezes. Lamento por mim, sou uma arrependida egoísta. Culpo meu porre, culpo a lua e o horóscopo do dia. Culpo a música e a multidão que me deixou irritada. Descontei em você. Arrependi-me. Grande coisa! Não vou ligar, não vou assumir o risco de você me desculpar. Não gosto das mãos suadas e do medo de ter perdido. Mas gosto menos ainda de rir da minha própria falta de controle. Costumava achar engraçado quando me comparavam a um personagem de filme espanhol, mas hoje eu odeio isso mais que nunca. Meu sangue italiano ferve. Ele ferve e minhas mãos suam. E não é de nervosismo. É porquê me importo. E já me arrependi disso também."
"Guardo para você as coisas que não existem. As cartas de amor que nunca vou escrever. Nossas palavras não combinam mais. Meu desejo irrompe de tudo isso que é estranho a mim e nasce agora a partir de você. Não preciso de você, as coisas não precisam de você..."
Final de semana maravilhoso em João Pessoa :)
Foto no Forte Velho
Final de semana maravilhoso em João Pessoa :)
Foto no Forte Velho
"...sabia que tinha alguma coisa fora do lugar em mim. Eu era uma soma de todos os erros: bebia, era preguiçoso, não tinha um deus, idéias, ideais, nem me preocupava com política. Eu estava ancorado no nada, uma espécie de não-ser. E aceitava isso. Eu estava longe de ser uma pessoa interessante. Não queria ser uma pessoa interessante, dava muito trabalho. Eu queria mesmo um espaço sossegado e obscuro pra viver a minha solidão. Por outro lado, de porre, eu abria o berreiro, pirava, queria tudo e não conseguia nada. Um tipo de comportamento não se casava com o outro. Pouco me importava."
Charles Bukowski
Charles Bukowski
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