terça-feira, 28 de outubro de 2008

Hoje me desfiz dos meus bens: vendi o sofá cujo tecido desenhei e a mesa de jantar onde fizemos planos. O quadro que fica atrás do bar rifei junto com algumas quinquilharias da época em que nos juntamos. A tevê e o aparelho de som foram adquiridos pela vizinha, testemunha do quanto erramos. A cama doei para um asilo sem olhar pra trás e lembrar do que ali inventamos. Aquele cinzeiro de cobre foi de brinde com os cristais e as plantas que não regamos. Coube tudo num caminhão de mudança... Até a dor que não soubemos curar mas que um dia vamos.


De cara lavada

Martha Medeiros

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